Vivências na Cidade: Crianças do Vila Velha visitam EcoMuseu Natural do Mangue

Vivências na Cidade: Crianças do Vila Velha visitam EcoMuseu Natural do Mangue

O Projeto Atitude Legal levou alunos de escolas municipais e seus familiares para conhecer o ecossistema formado pelo encontro do Rio Cocó com o mar, em Fortaleza

Proporcionar experiências das crianças na natureza. Esta é a finalidade da ação “Vivências na Cidade”, ciclo de experiências em espaços verdes de Fortaleza e região metropolitana que o Projeto Atitude Legal (Ifan e Kindernothilfe e.V (KNH)) está proporcionando para meninos, meninas e cuidadores do bairro Vila Velha. Dos dias 27 a 29 de outubro, a iniciativa levou turmas de ensino fundamental das Escolas Municipais Herondina de Lima Cavalcante, Castelo de Castro e Francisco Edilson Pinheiro ao EcoMuseu Natural do Mangue, localizado na Praia da Sabiaguaba.

No museu a céu aberto, os grupos de crianças e seus familiares aprenderam sobre o ecossistema que se forma pelo encontro do Rio Cocó com o mar. Rusty Sá Barreto, diretor e fundador do EcoMuseu, conduziu a experiência educativa e sensorial fornecendo explicações sobre a flora nativa do manguezal, estimulando os participantes a observarem características do solo, dos vegetais, e passando lições de preservação ambiental.

Os meninos e meninas conheceram a fauna presente no local pela explanação de Sineide Crisóstomo. Aos olhares curiosos da garotada, a representante do EcoMuseu apresentou ossadas de peixes, caranguejos, tartarugas, arcadas de tubarões, conchas e outros animais cuja sobrevivência depende da integridade do mangue. Um dos pontos altos da visita para as crianças foi a trilha dentro da água até a margem do Rio Cocó, onde todos foram convidados a plantar “canetas” (como são chamadas popularmente as sementes de mangue-vermelho), contribuindo com o reflorestamento da região.

Entre os conhecimentos adquiridos com a vivência, as crianças aprenderam que os mangues captam cinco vezes mais carbono do ar do que a Mata Atlântica e que oferecem sete vezes mais oxigênio do que as árvores. Ricardo Aragão da Silva, vigilante, acompanhou o filho Levi Apolinário da Silva (9 anos), no passeio e compartilha: “Quando eu era da idade dele (de Levi) eu também participei de alguns eventos parecidos pelo colégio, e está sendo bom ele (Levi) participar para que tenha conscientização sobre o meio ambiente”. Perguntado sobre o que mais gostou da manhã, Levi vai direto ao ponto: “Da parte que a gente entrou na água e quando vimos aquele caranguejo grande que apareceu”.

A costureira Francineide dos Santos Soares, mãe de Alan dos Santos Farias (9 anos), destaca o poder da atividade de campo e a possibilidade de aprender junto com seu filho: “Às vezes, só a sala de aula não é o mesmo que você ter o contato com os animais, né? E estar ali perto dele (de Alan) é muito gratificante. Eu fico ali, vendo que ele está gostando. A gente pensa que é besteira, mas não é. É uma coisa muito importante, ainda mais para o desenvolvimento dele. Aprendi muita coisa, a gente acompanha nossos filhos e acaba aprendendo junto com eles”.

Segundo Lorena Silveira, coordenadora do Projeto Atitude Legal, a presença de pais, mães ou outros familiares nas “Vivências” não é por acaso. O principal objetivo do Projeto é atuar pela prevenção da violência doméstica contra crianças, e o contato direto com a natureza, viver experiências fora do bairro onde se mora e em família, na análise da equipe, colaboram bastante para a formação de vínculos familiares afetivos. “Isso ajuda na quebra do ciclo da violência. Quando a gente promove uma oportunidade assim, a família fica mais fortalecida, compreende que há uma necessidade de interagir mais com a criança”, justifica Lorena.

Entusiasta da preservação ambiental, Rusty Sá Barreto diz não ter palavras para definir a importância de receber crianças no EcoMuseu. Para ele, trata-se de mostrar às pessoas o real valor de um ecossistema que, a seu ver, é menosprezado. “O nosso objetivo é fazer com que as pessoas conheçam o manguezal e a partir do conhecimento elas passem a cuidar dele. A gente faz esse trabalho com muito amor e também recebe amor das crianças quando elas descobrem que o que estamos fazendo é necessário para que o amor delas pela natureza seja maior. A natureza nos dá muito e a gente quase não dá nada a ela. Quando dá, muitas vezes é o lixo, é o corte, é a degradação”, afirma o diretor da organização.

Sabemos que a natureza traz inúmeros benefícios para a saúde da criança, ao desenvolvimento físico e até mesmo à saúde mental. Porém, criar oportunidades de conhecer os recursos naturais da cidade onde se vive também tem o potencial de promover o sentimento de pertença. Para Lorena, “as crianças visitam espaços verdes dentro da sua cidade e passam a se perceber parte desses espaços, passam a cuidar melhor desses espaços. Elas levam consigo experiências para transmitir aos familiares, à escola, e assim a consciência ambiental se propaga ainda mais”.

Momentos para “desemparedar a infância”

Segundo a equipe de campo do Atitude Legal, as “Vivências na Cidade” cumprem outra importante função: “desemparedam as infâncias”, ainda que momentaneamente, após um período de quase um ano e meio de isolamento exigido pela pandemia por Covid-19. “A gente está vindo desse momento em que as crianças estavam sufocadas, relacionando-se somente com telas. Nós sabemos que as telas foram muito necessárias e ainda são, porém o seu uso excessivo também pode trazer muitos malefícios para a saúde das crianças”, comenta a coordenadora do Projeto.

Na análise da equipe do Ifan, as crianças têm gostado bastante das atividades presenciais, principalmente por terem, agora, a oportunidade de sair e ter contato com o externo. Coincidência ou não, “molhar um pouquinho os pés” na água faz parte do relato de Kauã Rodrigues (9 anos) sobre a atividade. “Foi muito bom. O que eu mais gostei foi de andar naquele mar e pegar as conchas”, conta o aluno da Escola Municipal Francisco Edilson Pinheiro.

Lorena explica que é necessário o contato criança-criança, criança-equipe do Projeto, criança-familiares e criança-comunidade como um todo. As vivências, então, foram pensadas para suprir essa demanda. “A gente levou essas crianças para ambientes externos à comunidade tanto para elas conhecerem e saberem que Fortaleza é maior que o Vila Velha, mas também por causa da segurança, já que precisamos evitar encontros em ambientes fechados, por causa da pandemia”, relata.

Roteiro das Vivências

As “Vivências na Cidade” são um percurso por três espaços naturais localizados na capital cearense e região metropolitana. Na primeira etapa, as turmas de crianças e pais foram ao Parque Estadual do Cocó, excursão realizada entre os dias 05 e 21 de outubro. Na companhia da equipe do Ifan, os grupos fizeram trilha ecológica no parque e passearam de barco pelo Rio Cocó.

A segunda vivência foi a imersão no EcoMuseu Natural do Mangue, na Sabiaguaba. A terceira e última vivência acontecerá nos próximos dias 10 a 12 de novembro e será no Parque Botânico do Ceará, em Caucaia. Ao todo, 100 meninos e meninas da comunidade do Vila Velha estão participando da ação.

A fim de evitar grandes aglomerações, a equipe do Projeto está dividindo as turmas das escolas em grupos com dez a onze crianças cada, e convida somente um cuidador por criança para se juntar às excursões. As vivências estão sendo realizadas somente em ambientes abertos, com o uso de máscaras e observação dos cuidados necessários por todos.

As visitas organizadas pelo Projeto Atitude Legal ao EcoMuseu Natural do Mangue contaram com o apoio do Batalhão Policial de Meio Ambiente do Ceará (BPMA) e das Escolas Municipais Herondina de Lima Cavalcante, Castelo de Castro e Francisco Edilson Pinheiro.

Para mais informações sobre o EcoMuseu Natural do Mangue, acesse: https://ecomuseunaturaldomangue.com.br/.

 

 

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